Áudios que circulam em aplicativos de mensagem são apontados como evidências contra a versão da Polícia Militar (PM) sobre a morte de Jeferson Alves Martins, no último sábado (9). Segundo a PM, o jovem teria morrido em um confronto policial, mas a família acredita em execução. A Polícia Civil de Aragarças instaurou um inquérito civil para apurar os fatos.
Após a morte de Jeferson, conhecido como “Jefinho Preto”, 25 anos, a destruição de nove veículos da prefeitura de Aragarças, na madrugada de domingo (10) chamou a atenção no município. A polícia prendeu cinco suspeitos, que assumiram a autoria do incêndio causado na Secretaria Municipal de Obras. Segundo eles, o crime teria sido uma represália contra o ocorrido a Jefinho.
Na versão da Polícia Militar, segundo o delegado da Polícia Civil de Aragarças, Ricardo Galvão, uma viatura teria abordado Jefinho, que, conduzindo uma motocicleta, respondeu a tiros. Os policiais afirmam que o suspeito largou a moto na pista e fugiu a pé para o mato. Na perseguição, Jefinho teria sido alvejado com quatro tiros e morrido em confronto.
“A versão da polícia é de que eles se descolaram para a zona rural da cidade de Bom Jardim de Goiás, ao avistarem uma moto, teriam sinalizado para que a moto parasse e foram surpreendidos com disparos de arma de fogo”, explica Galvão, em entrevista nesta quinta-feira (14), à rádio CBN Goiânia.
“O indivíduo teria descido da moto. A guarnição também desembarcou da viatura e foi em direção aonde ele tinha corrido. E foi o momento do confronto policial.” Depoimentos dos envolvidos já foram colhidos e a Polícia Civil pediu perícia da arma atribuída a Jeferson, no veículo e no local dos fatos.
Mas a família não acredita no relato. Nas mensagens, entregues a Polícia Civil, Jeferson afirma que teria ido até as proximidades da fazenda, a pedido de um amigo. Ele deixa a entender, em áudio enviado à mãe, que não sabia que o “colega” estaria envolvido no roubo de uma fazenda.
“Hein, mãe, um colega meu me ligou aí para ajudar ele num carro que tinha estragado aqui para o rumo da fazenda, mas ele tinha roubado a fazenda. Aí o povo [polícia] foi e me pegou aqui, a polícia está comigo aqui, o Khenyo e o Tadeu [os dois cabos que estavam na ocorrência], entendeu? Tá correndo atrás do cara. Não sei se vou ficar preso, não, mas pelo jeito eu vou. A senhora já conecta a advogada aí. Eu to aqui pra frente do córrego das Mouras, entendeu? Na fazendo do Junior.”
Em áudio enviado a namorada, Jefinho faz relato semelhante. Neste, ele afirmar acreditar que a polícia já sabia quem teria sido o autor do crime. “Achei que o menino estava só com o carro estragado, e o menino tinha era roubado uma fazenda, entendeu? A polícia me pegou aqui e eles tá correndo atrás para ver se acha o menino. Eles já sabem quem foi que roubou. Não sei se vou sair ou estou preso.”
O irmão de Jefinho, Gean Alves do Nascimento, também recebeu mensagem. “Ou, to preso (sic).” Gean perguntou o que teria acontecido, mas não recebeu resposta. As mensagens indicam que o rapaz estaria sob posse da polícia, refutando a teoria de morte em confronto.
Segundo afirma o delegado Galvão, os áudios teriam sido enviados por volta das 13 horas, do sábado. A morte do rapaz teria ocorrido posterior a esse horário. Ao Semana7, o delegado afirmou que, como a investigação ocorre sobre sigilo, nenhum outro detalhe será revelado.
Autor:Kayc Alves com Semana7