Sexta-Feira, 05 de Junho de 2020

Governo francês promete apoiar Raoni na construção de barreira para proteção do Xingu




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O presidente francês, Emmanuel Macron, recebeu na quinta-feira (16/05) no Palácio do Eliseu o líder indígena brasileiro Raoni Metuktire e prometeu ao cacique kayapó o apoio da França em sua batalha contra a exploração de terras indígenas por madeireiros e pelo agronegócio.

A agenda da viagem de três semanas pela Europa inclui encontros com líderes europeus, celebridades e com o papa Francisco. Nesta sexta-feira, Raoni participa de um protesto de estudantes em favor da proteção climática, em Bruxelas.

Macron conversou por 45 minutos com Raoni e três outros líderes indígenas brasileiros: Kayula, Tapy Yawalapiti e Bemoro Metuktire. Após o encontro, o Palácio do Eliseu indicou que a França apoiará o projeto de Raoni. Os detalhes da ajuda, especialmente a parte financeira, serão comunicados posteriormente, segundo a presidência francesa.

Segundo a emissora RFI, Macron também se comprometeu a discutir a questão indígena com o presidente Jair Bolsonaro durante a cúpula do G20 em Osaka, no Japão, nos dias 28 e 29 de junho. "Estou em busca de 1 milhão de euros, em particular para financiar cercas de bambu para delimitar a grande reserva do Xingu, que está sob constante intrusão de madeireiros e traficantes de animais, garimpeiros e caçadores, que vêm caçar em nossa terra", disse Raoni numa entrevista publicada pelo jornal francês Le Parisien.

Os fundos que Raoni pretende arrecadar devem ser usados para sinalizar melhor os limites da reserva do Xingu e comprar drones e equipamentos para vigiar a região e protegê-la contra incêndios, segundo a Forêt Vierge, organização com sede em Paris que Raoni preside de forma honorária.

Além disso, algumas comunidades no Xingu necessitam de recursos para saúde, educação e conhecimento técnicos para a extração e comercialização de produtos renováveis obtidos na floresta. Em paralelo ao encontro, o Palácio do Eliseu anunciou que a França planeja organizar uma cúpula internacional sobre povos indígenas de todo o mundo em junho de 2020.

Em abril, um relatório divulgado pela ONG Amazon Watch conectou 27 empresas europeias e dos EUA ao desmatamento na Amazônia – entre elas as francesas Guillemette & Cie e Groupe Rougier. O cacique Raoni ganhou visibilidade internacional nas últimas décadas em sua luta pela preservação dos povos indígenas e da Amazônia. A viagem do líder da etnia kayapó de 87 anos ocorre num momento de apreensão para os povos indígenas no Brasil devido a medidas adotadas ou anunciadas pelo governo Bolsonaro.

Depois de Paris, Raoni viaja para Bélgica, Luxemburgo, Mônaco, Cannes – onde participará do Festival de Cinema – Itália e o Vaticano, onde está prevista uma entrevista com o papa Francisco, segundo a programação comunicada pela Forêt Vierge. A viagem de Raoni recebeu o apoio de figuras como o cantor Sting, que há 30 anos realizou uma turnê ao lado do cacique por 17 países e o ajudou a ganhar notoriedade internacional na luta pela proteção dos povos do Xingu.

Ameaças à Amazônia - O líder indígena brasileiro Raoni Metuktire chegou à Paris no domingo (12/05) para dar início a uma viagem de três semanas pela Europa com o objetivo de denunciar ameaças à Amazônia. A agenda inclui encontros com chefes de Estado, celebridades e o papa Francisco.

Líder da etnia kayapó, o cacique de 87 anos ganhou visibilidade internacional nas últimas décadas em sua luta pela preservação dos povos indígenas e da Amazônia. Ele tentará arrecadar um milhão de euros para proteger O Parque Nacional Indígena do Xingu – reserva onde vivem vários povos indígenas – de madeireiros e do agronegócio. Raoni viaja acompanhado de outros três líderes indígenas que vivem no Xingu.

Na França, Raoni se reuniiu com o presidente Emmanuel Macron e seu ministro do Meio Ambiente, François de Rugy. As lideranças indígenas seguem então para Bélgica, Suíça, Luxemburgo, Mônaco e Itália. A viagem de Raoni ocorre num momento de apreensão para os povos indígenas no Brasil devido a medidas adotadas ou anunciadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

Em abril, Bolsonaro afirmou que propôs a seu homólogo americano, Donald Trump, a abertura da exploração da região amazônica em parceria com os Estados Unidos. O presidente criticou também o que chama de "indústria" de demarcação de terras indígenas, que inviabilizaria projetos de desenvolvimento da Amazônia, e afirmou que pretende rever demarcações. O governo também defendeu a possibilidade de ampliar atividades de mineração e agropecuária em terras indígenas.


Autor:AMZ Noticias com Agencia Reuters


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