Jornal do Carajas
  Quinta-Feira, 16 de Abril de 2026

Levantamento aponta que 95% do desmatamento ocorrido no cerrado de Mato Grosso é ilegal




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Um levantamento feito pelo Instituto Centro de Vida (ICV) mostra que o ritmo da abertura de novas áreas no cerrado continua alarmante, em Mato Grosso, especialmente, pelo alto grau de ilegalidade que foi de 95%, em 2018. Ano passado, o Estado perdeu quase mil quilômetros quadrados do bioma. Segundo o ICV, apenas uma pequena fração desse desmatamento foi feita com autorização do órgão ambiental, obedecendo a legislação vigente.

Os dados apontam, que de agosto de 2017 a julho de 2018, o desmatamento mapeado no cerrado brasileiro pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) foi de 6.657 km², uma área equivalente a quatro vezes a cidade de São Paulo. Mato Grosso foi o terceiro estado que mais desmatou o bioma, foram 998 km², respondendo por 15% de todo o bioma perdido no país em um ano.

De acordo com a análise das características do desmatamento realizada pelo Instituto Centro de Vida, cerca de um terço de todo desmatamento no Cerrado mato-grossense ocorreu em imóveis rurais cadastrados e em áreas contínuas de mais de 50 hectares, ou seja, facilmente detectáveis via imagens de satélite. “É urgente que o Poder Público tome medidas sérias para conter a ilegalidade. Há medidas possíveis, aliando tecnologia e inteligência para focar a fiscalização nas áreas críticas”, disse por meio da assessoria de imprensa, Alice Thuault, diretora adjunta do ICV, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), apartidária e sem fins lucrativos, decretada de utilidade pública em Mato Grosso pela lei estadual n° 6.752/96.

Além do alto índice de ilegalidade, a análise realizada pelo ICV mostra que os polígonos de desmatamento com mais de 50 hectares respondem por 71% do total. A comparação com o período anterior indica uma tendência de aumento das grandes derrubadas – foram 10% a mais de ocorrências em grandes polígonos. Ainda, conforme a assessoria de imprensa, o cruzamento com os dados do CAR mostra uma predominância do desmatamento em imóveis rurais cadastrados, quase 63%, sendo que mais da metade ocorreu em grandes imóveis, com mais de 1.500 hectares.

Já os projetos de assentamentos da reforma agrária concentraram 12% do total desmatado. Nas áreas protegidas, que englobam unidades de conservação e terras indígenas, apenas 2%. “Em comparação com a Amazônia, o cerrado tem um nível de proteção menor pela lei. Se os acordos setoriais das cadeias que compram commodities não incluírem esse bioma, as taxas de desmatamentos continuarão sendo elevadas”, reflete Ana Paula Valdiones, uma das autoras do estudo.

O estudo também aponta para uma tendência de concentração nas regiões do Araguaia e no Centro Sul do estado. Metade do bioma que desapareceu em 2018 estava em apenas 15 municípios, sendo Paranatinga o primeiro do ranking. Após vem, Rosário Oeste, Ribeirão Cascalheira, Cocalinho, Nossa Senhora do Livramento, Campos de Júlio e Água Boa. As análises foram feitas cruzando os dados de desmatamento no cerrado fornecidos pelo Inpe (PRODES) com informações disponíveis no Portal da Transparência Ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e do Cadastro Ambiental Rural.

AMAZÔNIA LEGAL – Dentre os estados que compõem a Amazônia Legal, Mato Grosso vem reduzindo as queimadas e os desmatamentos em seu território. Entre 2017 e 2018, por exemplo, caiu de 1.561 para 1.490 a quantidade quilômetros quadrados desmatados, tendo sido, ao lado de Tocantins e Maranhão, um dos poucos estados da região a obter este resultado, conforme informações do governo do Estado. Também houve redução nas queimadas no mesmo período, o número de focos de incêndio passou de 30.911 para 18.032.

“Mas, provavelmente, não teremos redução de focos de incêndios neste ano de 2019, por causa da condição climática e da biomassa acumulada. Como no ano passado registrou-se queda, a tendência é de aumento para este ano. Mas, não tão alto como os demais Estados da Amazônia Legal”, ameniza o coronel Bombeiro Militar Paulo Barroso, secretário-executivo do Comitê Estadual de Gestão do Fogo, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente.

Pelos últimos dados de 2019, Mato Grosso, com 8.556 focos registrados, já ultrapassou a metade do total de 2018. Para evitar que os números sejam ainda maiores, o Comitê Estadual de Gestão de Fogo, formado por 20 agências estaduais e 17 convidadas (entre ONGs e iniciativa privada), trabalha ativamente na prevenção, controle e combate aos incêndios florestais.

Entre 15 de julho e 15 de setembro, conhecido período proibitivo de queimadas em áreas rurais, é ativado também o Comitê Integrado Multiagências de Coordenação Operacional Nacional (Ciman), que este ano está estruturado no Centro Integrado de Operações da Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso (Ciosp/Sesp).

Para a execução da tarefa, conta com 87 veículos de combate a incêndios florestais, dois caminhões de apoio, três aeronaves (dois aviões com capacidade para transporte e lançamento de até 3.500 litros de água e um helicóptero), além de 1.327 brigadistas – entre 350 e 400 atuando diariamente. 


Autor:AMZ Noticias com Diário de Cuiabá


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