Os crimes violentos tiveram redução nos municípios do interior do Pará este ano. Um comparativo entre os casos registrados entre 1º de janeiro a 30 de novembro de 2019, com o mesmo período do ano passado, apontam que os casos de latrocínio, por exemplo, reduziram em 29%, segundo a Polícia Civil. Nos onze primeiros meses do ano passado, foram 107 registros, enquanto que, neste ano, houve 76 ocorrências registradas, com 31 vidas salvas.
Ao mesmo tempo, os números de homicídios nas cidades paraenses mostram que, no mesmo período, a Polícia registrou 2.124 homicídios, contra 2.439 em 2018. São 315 mortes a menos – o que equivale a uma queda de 13% de assassinatos e execuções apenas no interior. O mesmo ocorreu com os casos de roubos, que tiveram redução de 20% entre um ano e outro: de 40.155 casos, caindo para 32.053, ou uma diferença de 8.102 registros.
O Delegado Geral da Polícia Civil, Alberto Teixeira, reconhece que apesar da diminuição da violência, os números ainda estão longe do que poderia ser considerado o ideal. Porém, ele diz que são muitos resultados positivos que os órgãos de Segurança Pública vêm alcançando na nova gestão. “De 2007 a 2018 a gente percebe que houve um aumento muito grande de crimes violentos. Isso foi noticiado amplamente: Homicídios, chacinas, mortes de polícias... Uma guerra urbana que nós vivíamos no Estado do Pará”, rememorou.
Em 2019, alguns crimes e casos de grande repercussão também ocorreram, mas em menor número e frequência. Um dos casos mais emblemáticos foi o confronto entre facções criminosas dentro do Centro de Recuperação em Altamira, que resultou na morte de 58 detentos.
Dentre todas as ações desenvolvidas pelos órgãos de Segurança Pública para diminuir a violência no Pará, a retomada do controle nos presídios pelo Estado e o combate a facções criminosas e grupos de milícias. “A gente enxergou que os problemas imediatos a serem combatidos seriam as organizações criminosas, que são o Comando Vermelho (CV), o primeiro comando da Capital (PCC), além de milícias e o tráfico de drogas”, afirmou Teixeira.
Dessas organizações criminosas, o Comando Vermelho estava instalado com maior força na Região Metropolitana de Belém. Pelas cidades do interior, o PCC e outras facções menores, consideradas ramificações do PCC, é que expandiam seus territórios. “Elas (as facções) existem e o Estado precisa entender como elas funcionam e a partir daí estudar e encontrar uma solução para combatê-las”, pontuou.
Na última sexta-feira, A Polícia Civil concluiu a operação Reversos, que ocorreu de forma simultânea em todo o Pará, tendo início no dia 13 de novembro de 2019, e finalizada, no final da tarde de sexta. No total, foram efetuadas 307 prisões, sendo 64 realizadas anteontem. A operação contou com um efetivo de 1.016 policiais e 254 viaturas.
Grupos milicianos também agiam no interior - Para Teixeira, é preciso ainda encarar a atuação das milícias para poder enfrentar. “É preciso, sim, que a gente encare e estude como faremos para combater esse mal, e não negar sua existência”, disse Alberto Teixeira. Há investigações que mostram milicianos atuando em cidades como Parauapebas e em Marabá. Alguns integrantes já foram presos, mas as diligências correm sob sigilo. Entre as formas que as milícias encontram para conseguir recursos e renda está o transporte clandestino de pessoas, proteção de empresários, extorsão, tráfico de drogas e homicídios por encomendas.
Por isso, foi feito um plano de atuação de longo prazo para as forças de segurança. “Nós fizemos essa análise no plano de governo e onde nós deveríamos atuar. Para que essa espiral da violência pudesse ser interrompida ou, pelo menos, minimizada até que o Estado pudesse avançar em outros setores, como por exemplo na questão social”, resumiu Teixeira. Paralelamente, ele diz que é preciso realizar uma série de operações e ações para mostrar a presença do Estado. Entre janeiro a novembro de 2019, a Polícia Civil realizou 2.652 operações no interior. Estas ações resultaram, até então, na apreensão de 809 mil quilos de drogas e de 480 armas.
Autor:AMZ Noticias com Diario do Pará