Sexta-Feira, 25 de Setembro de 2020

Mais de 500 mil eleitores de Mato Grosso tem título eleitoral cancelado por falta de biometria




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O Presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE/ MT), desembargador Gilberto Giraldelli, alertou para a quantidade de eleitores em Mato Grosso que estão com os títulos cancelados e que não poderão votar em 2020 caso não regularizem a situação. 

Dos 2.730.766 eleitores mato-grossenses, 572.887 estão com os títulos cancelados. Isso significa que 20,9% poderão deixar de votar no pleito eleitoral deste ano. “Isso nos preocupa muito. Porque nós já realizamos biometria em 87 municípios e nas maiores cidades, como Cuiabá e Várzea Grande. Em Cuiabá são 145,509 mil eleitores com títulos cancelados, e em Várzea Grande são 65.380", disse o chefe da Justiça Eleitoral. 

Os dados apresentados pelo TRE mostram que 28,8% dos eleitores da Capital deixaram de fazer biometria e/ou não votaram e nem justificaram a ausência nas ultimas eleições.  Na cidade vizinha, o número de títulos cancelados representa 29.9% dos eleitores varzea-grandenses. Cuiabá possui hoje 504,993 mil eleitores e Várzea Grande 218,271 mil.  

Giraldelli lembra que os eleitores que não participaram da biometria terão até o dia 5 de maio para regularizarem a situação eleitoral. “A legislação eleitoral diz que o fechamento do cadastro dos eleitores tem que ser em 151 dias antes das eleições, ou seja, 5 meses e 1 dia, que é para que o TSE tenha tempo para fazer a lista de votação, a distribuição e a lei resguarda esse prazo”, explica. 

O desembargador lembra que parte desses eleitores que não regularizaram a situação eleitoral são pessoas que não têm interesse em votar, outros que não são mais obrigados por conta da idade e os que estão descrentes com a política do país.

“A abstenção está acontecendo muito em função do próprio eleitorado que está, de certa maneira, indignado com o que vem ocorrendo, com a crise política, escândalos e tudo mais. Mas a impressão que tenho é que essa abstenção poderá diminuir com a biometria, porque quando fazemos a revisão do eleitorado a gente se aproxima muito do número de eleitores com a realidade. Então estará regular aquele eleitor que comparece mesmo. Qem vai sair é quem não tem mais interesse em votar. Assim chegaremos mais próximo da realidade”, avaliou. 

Desinteresse - Para o analista político, professor João Edisom, a abstenção da população em relação às eleições é uma tendência que vem ocorrendo no mundo inteiro nas últimas duas décadas. Entre os motivos para o desinteresse eleitoral estaria no fato de que a população começou a analisar a importância do político na sua vida.“Eu li uma tese de doutorado que mostra que as pessoas estão achando cada vez mais que um político não tem importância na sua vida. Ela deixar de votar não interferirá na sua vida. E nesta pesquisa 80% pensavam dessa maneira”, conta Edisom.

Somado a isso, as multas e penalidades para quem deixa de votar não impactam e nem trazem problemas para quem prefere a abstenção. Edisom também acredita que a polarização política no Brasil tem causado um certo “enojamento” do processo eleitoral.“A polarização não significa que 50% está de um lado e 50% de outro lado. Tem quem não participa dessa polarização e é a maioria. E no meio disso prefere ficar de fora e não participar do debate polarizado e muito menos votar”, afirma.  

O analista também acredita que houve um desgaste das ferramentas da democracia no país e no mundo. “Hoje tem muita gente que se questiona até que ponto o voto é importante para democracia. E isso vem crescendo”, lembra.  “O que vale o voto dessa pessoa? É uma análise muito pessoal. Aí essas pessoas começam a questionar se essas ferramentas da democracia ainda são eficazes para lhe garantir um bem estar social. Essas pessoas estão enojadas do atual processo político e preferem se abster”, completa. 

João Edisom também afirma que a classe política não tem dado a atenção para essa quantidade de pessoas que preferem se abster do processo.   Para ele os políticos e os partidos insistem em manter o processo eleitoral e de democracia atual, do que buscar outros mecanismos democráticos e de participação eleitoral.   “Se os políticos brasileiros não se atentarem para essa crescente insatisfação com as ferramentas democráticas atuais, em 2030 menos 50% dos eleitores irão votar no Brasil”, finaliza. 

Biometria - O presidente do TRE também apresentou os dados atualizados da biometria em Mato Grosso. Dos 141 municípios, 87 já estão aptos a votarem pelo sistema biométrico. Já 44 cidades ainda não realizaram o racadastramento via biometria. Outras 10 cidades estão em cadastramento ordinário, ou seja, deverão ter votações híbridas - eleitores com biometria e outros sem.  

A previsão da Justiça Eleitoral do estado era de que os 141 municípios pudessem ter finalizado o cadastramento biométrico, porém, com a eleição suplementar para o Senado, a finalização do processo de biometria deverá ficar para o início de 2021.  "Com esse fato atípico das eleição suplementar que devemos fazer neste primeiro semestre, e as eleições municipais, a conclusão do recadastramento biométrico ficará para o início de 2021. Mas vamos concluir esse trabalho”, disse Gilberto Giraldelli.


Autor:AMZ Noticias com Gazeta Digital


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