Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), criada na Câmara de Cuiabá para investigar o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), o ex-governador Silval Barbosa revelou que recorreu ao Ministério Público do Estado (MPE) para relatar a extorsão que sofreu de deputados estaduais, mas, segundo ele, nenhuma providência foi tomada.
Por conta disso, o ex-chefe do Executivo Estadual disse que foi obrigado a ceder à pressão e pagar propina aos parlamentares para garantir a execução das obras oriundas do Programa MT Integrado (de infraestrutura rodoviária) e da Copa do Mundo de 2014. De acordo com o ex-governador, cada deputado estadual, na época, recebeu R$ 600 mil em parcelas de R$ 50 mil, para fazer "vista grossa" na fiscalização das obras.
“Em uma reunião com o doutor Paulo Prado [então chefe do MPE], eu falei o que estava acontecendo. Expliquei bem que não era só ali [na Assembleia Legislativa]. Eram outros que estavam, como o Tribunal de Contas. Eu relatei que estava passando por uma série de problemas, com dificuldades das mais perversas para executar os programas de Governo. Ele ficou de analisar e me dar uma resposta. Demorou um pouco. Falei novamente, numa outra reunião. E, por fim, ele falou que era para gravar, para flagrar todo mundo. Eu disse que dava a ele todas as informações sobre o que estava acontecendo, para ele verificar, mas ficou por isso mesmo. E eu toquei da forma que me sujeitei”, explicou.
Além disso, ele garantiu que os deputados recebiam um "mensalinho" de R$ 50 mil por mês cada. A propina, segundo ele, era paga por meio do orçamento da Assembleia Legislativa. Isso, observou, fazia com que o Executivo repasse R$ 15 milhões a mais ao Legislativo por ano. Silval também disse que o pagamento de "mensalinho" ocorre até hoje no Parlamento Estadual.
“O pagamento do 'mensalinho' não parou até hoje, só formataram como lei e não precisa prestar conta”, disse, fazendo referência à verba indenizatória de R$ 65 mil, a qual todos os parlamentares têm direito, sem qualquer prestação de contas. De acordo com o ex-governador, o prefeito Emanuel Pinheiro - que na época era deputado estadual - recebeu tanto a propina oriunda de extorsão, quanto o "mensalinho".
A ação foi registrada por Silvio Correa, ex-chefe de gabinete de Silval, por meio de uma gravação de vídeo, a qual deu origem à investigação no âmbito do Legislativo Cuiabano. Além do recebimento de propina, a CPI ainda investiga uma possível obstrução de Justiça por parte do emedebista, através do ex-secretário de Estado, Allan Zanatta.
Uma gravação apreendida pela Polícia Federal expôs uma conversa entre o ex-secretário e Silvio. No áudio, Zanatta e o ex-assessor de Silval comentam sobre a filmagem em que Pinheiro aparece recebendo maços de dinheiro, no Palácio Paiaguás. O áudio foi apreendido na residência de Pinheiro, em setembro do ano passado, durante a Operação Malebolge, 12ª fase da Operação Ararath. Ele foi gravado pelo próprio Zanata, supostamente a pedido do prefeito. A gravação foi utilizada pelo prefeito para tentar anular a delação firmada por Silval com a Procuradoria Geral da República. Para o ex-governador, houve, sim, uma tentativa de obstrução de Justiça por parte do atual prefeito da Capital.
JOSÉ RIVA - Durante todo o depoimento Silval citou, por diversas vezes, os nomes do ex-deputado José Riva e dos ex-secretários Pedro Nadaf e Valdísio Viriato. Para ele, essas pessoas poderiam contribuir com a investigação. Diante disso, o presidente da CPI, vereador Marcelo Bussiki (PSB), apresentou um requerimento solicitando a oitiva do ex-parlamentar e dos ex-integrantes do primeiro escalão estadual. O pedido foi feito ao final da oitiva do ex-governador, mas não foi analisado devido ao posicionamento dos vereadores Toninho de Souza (PSD) e Sargento Joelson (PSC), relator e membro da CPI.
Ambos não concordaram em deliberar sobre as oitivas na reunião desta segunda-feira, tendo em vista que ela foi convocada exclusivamente para colher o depoimento de Silval. “Não tenho problema nenhum em aprovar a oitiva de Riva e dos demais, mas há outros requerimentos que também estão pendentes de apreciação, e precisamos deliberar todos. Então, tem que haver uma reunião específica para que todos sejam votados”, explicou Toninho.
Diante disso, Bussiki disse que marcará uma reunião, ainda esta semana, para tratar sobre os assuntos. Além dos nomes citados, ainda deverá ser deliberado sobre as oitivas do ex-secretário estadual de Fazenda, Eder Moraes, e também do irmão do prefeito da Capital, Marcos Polo Pinheiro.
Autor:AMZ Noticias com Diario de Cuiabá