As últimas chuvas não foram suficientes para elevar o nível do Rio Cuiabá, que corta a capital de Mato Grosso e deságua no Rio Paraguai, o principal formador do Pantanal, ecossistema que enfrenta a pior seca dos últimos 14 anos.
Há pelo menos uma semana, o volume das águas do rio está abaixo da média esperada para o período de estiagem, que é de 50 centímetros. Em Cuiabá, o índice hidrológico registrado tem sido negativo neste ano. “Nessa última cheia, o Rio Cuiabá praticamente não encheu. O máximo que ele chegou foi a quatro metros na régua de medição, quando na época de cheia o nível dele tem que passar de seis metros”, informou o diretor da Defesa Civil Municipal, José Pedro Zanetti.
“O período mais alto é em janeiro, mas nessa última vez não passou dos 4 metros. Não teve água, o rio não encheu”, completou. Já na última medição feita pela Defesa Civil, a régua de monitoramento apontou entre 47 a 48 centímetros. “Está baixo”, reforçou comentando que foi sair de barco, a partir da Marina Beira-Rio até o São Gonçalo, mas acabou desistindo devido ao nível das águas e a existência de pedreiras ao longo do trecho, o que dificulta a passagem ou navegação. Conforme Zanetti, este ano tem sido atípico.
“Em anos anteriores, houve um período de estiagem até maior, mas não tão seco como agora. A umidade relativa do ar (URA) não ficou tão baixa, o ar não ficou tão seco e não tivemos tanta fumaça. Este ano está atípico porque a estiagem começou um pouco mais tarde, estamos com 70 a 71 dias sem chuva, mas a umidade do ar está muito baixa”, explica
Neste final de semana, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) preve que a URA fique em torno de 15% no período da tarde. O ideal considerado é acima de 60%. O nível do Rio Cuiabá associado ao volume das águas do Rio Paraguai, que chegou a 2,10 metros em junho, de acordo com a Marinha do Brasil, também traz reflexos negativos para o Pantanal, considerado a maior área úmida continental do planeta e que tem enfrentando a seca mais intensa dos últimos 14 anos.
Com o tempo e a vegetação secos, o bioma vem sendo atingido por um incêndio de grandes proporções há cerca de 20 dias. Por lá, o fogo já queimou quase 70 mil hectares. Outro impacto é na reprodução dos peixes. “Como o nível do rio não subiu muito na época da cheia vamos ter um reflexo, num futuro próximo, em relação ao peixe. Quando o nível não sobe dificulta a desova. Então, daqui a alguns anos o estoque pesqueiro vai cair um pouco porque não houve tanta reprodução, não como era esperada. Quando o rio sobe o peixe sai para procurar o local de desova e como não encheu afeta todo um ecossistema”, explicou.
O “Cuiabá” é considerado maior fonte de abastecimento de água da Capital. Porém, conforme Zanetti, ao menos por enquanto, não há risco de desabastecimento até porque a cidade passou a contar com duas novas estações de tratamento de água (ETAs) em duas grandes regiões: o Coxipó e a do São Gonçalo. “Por enquanto, não se fala em falta de distribuição. Se chegar a uma situação extrema temos a Usina de Manso, que também acompanha e pode soltar um pouco mais de água. Uma das funções de Manso é manter o nível mínimo (de água) no Rio Cuiabá”, disse o diretor.
Autor:AMZ Noticias com Diário de Cuiaba