Quinta-Feira, 16 de Abril de 2026

Meio ambiente vira destaque negativo em 2020 com desmatamento acima da média na Amazônia




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O ano de 2020 no meio ambiente foi marcado por incêndios florestais no Brasil , Austrália e Estados Unidos, desmatamento na Amazônia, fogo no Pantanal e ondas recordes de calor e furacões.

O ano também teve declarações do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e por denúncias de desmantelamento nas ações do Ibama. Neste ano, 12 pontos formaram os principais eventos que marcaram o ano no meio ambiente.

Pantanal em chamas, Desmatamento acima da média na Amazônia, O mês mais quente da História, Tempestades no Sudeste, Maior temporada de furacões no Atlântico, Incêndios florestais na Austrália e Estados Unidos,Ministro sugere 'passar a boiada' Paralisação do Fundo Amazônia, Desmonte e cortes no Ibama, Fiscalizações e multas ambientais despencaram, Conama tenta avançar sobre restinga e manguezais e Cinco anos do Acordo de Paris; meta brasileira prevê aumento da poluição atmosférica

Pantanal em chamas - A região castigada pelo fogo em 2020 foi o Pantanal mato-grossense, que teve o seu pior ano em termos de queimadas desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou o monitoramento, em 1998. O fogo consumiu mais de 20% de todo o bioma, destruindo o equivalente a mais de 10 vezes as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo juntas. O projeto Bichos do Pantanal estima que entre 30% e 35% das espécies de flora e cerca de 20% de mamíferos foram atingidos.

A taxa de desmatamento na Amazônia divulgada pelo em dezembro foi mais de três vezes superior à meta apresentada pelo Brasil à Convenção do Clima na conferência de 2009, em Copenhague, para 2020. Foram 11.088 km² de área perdida no bioma, mas o objetivo era chegar perto de 3 mil km².

O desmatamento da atual temporada, de mais de 11 mil km², é o maior área desde 2008, quando o Prodes apontou 12.911 km² desmatados. O Pará concentra quase metade do desmatamento na atual temporada.

Setembro de 2020 foi o mês mais quente já registrado, com temperaturas excepcionalmente altas na Sibéria, no Oriente Médio e em partes da América do Sul e da Austrália, segundo o Serviço de Mudança Climática Copernicus (C3S) da União Europeia.

Globalmente, setembro de 2020 foi 0,05ºC mais quente do que o mesmo mês em 2019 e 0,08ºC mais quente que em 2016, anos que tinham os dois maiores recordes já registrados, mostraram os dados do Copernicus. Os efeitos foram sentidos no Ártico também. O gelo marinho na região encolheu até sua segunda menor extensão já registrada em setembro.

Resultado de uma tendência de aquecimento de longo prazo causada pelas emissões de gases que retêm o calor, as altas temperaturas neste ano tiveram grande influência em eventos como os incêndios na Califórnia, e inundações na Ásia, de acordo os cientistas. O meio ambiente em 2020 não foi marcado somente pelo fogo, mas também pelas inundações e chuvas fortes.

A temporada de furacões no Atlântico também bateu recordes este ano, com 30 tempestades nomeadas, 12 das quais atingiram os Estados Unidos. Cinco ciclones tropicais simultaneamente ativos foram detectados no oceano Atlântico. A última vez que um fenômeno semelhante ocorreu foi em 1971, quando o mesmo número de tempestades tropicais foi registrado no Atlântico ao mesmo tempo.

No âmbito da política ambiental brasileira, o ano foi marcado por uma fala do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, "passar a boiada". Durante uma reunião ministerial em de abril, Salles afirmou aos ministros e ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que o governo deveria aproveitar a pandemia, em que o foco da sociedade e da mídia está voltada para o coronavírus, para mudar regras que podem ser questionadas na Justiça.

""(..,) precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de COVID e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas. De IPHAN, de ministério da Agricultura, de ministério de Meio Ambiente, de ministério disso, de ministério daquilo. Agora é hora de unir esforços pra dar de baciada a simplificação, é de regulatório que nós precisamos, em todos os aspectos." - Ricardo Salles

Em outubro, a rede Observatório do Clima denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante uma audiência pública que o Fundo Amazônia, que capta doações para projetos de preservação e fiscalização do bioma, tem cerca de R$ 2,9 bilhões parados.

A paralisação do Fundo Amazônia ocorreu ainda em 2019, quando Salles tentou mudar as regras do órgão, o que levou à retirada de financiamento dos principais apoiadores – Noruega suspendeu repasses de R$ 133 milhões e a Alemanha anunciou corte que poderia chegar a R$ 155 milhões. A proposta de Salles era usar os recursos do fundo para indenizar proprietários de terras. 

Em agosto, mais de 400 servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) divulgaram uma carta aberta ao presidente do órgão alertando que a queda de 24% no número de fiscais do órgão entre 2018 e 2019, apontavam “para o colapso da gestão ambiental federal e estimulam o cometimento de crimes ambientais dentro e fora da Amazônia".

Outro ponto do documento pedia a garantia de recursos para as atividades de prevenção e combate aos incêndios florestais, especialmente após a paralisação dos repasses financeiros do Fundo Amazônia. O presidente do Ibama, Eduardo Bim, disse à GloboNews que o órgão enfrenta problemas financeiros que impedem o cumprimento de compromissos em 2020. Segundo ele, os pagamentos pendentes são da ordem de R$ 19 milhões.

Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) mostrou que, de janeiro a agosto deste ano, os julgamentos de autos de infração do Ibama caíram quase 90% em comparação com o mesmo período do ano passado. Já o número de processos de infrações ambientais concluídos pelo órgão foi reduzido em 88% quando comparado com o mesmo período em 2019. Considerando apenas a Amazônia Legal, entre as 938 autuações aplicadas em 2020 pelo, apenas três multas por desmatamento haviam sido quitadas até outubro deste ano.

Em setembro, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), principal órgão consultivo do Ministério do Meio Ambiente e presidido por Ricardo Salles, derrubou duas resoluções que restringiam o desmatamento e a ocupação em áreas de preservação ambiental de vegetação nativa, como restingas e manguezais. As deliberações do Conama estão sendo debatidas em processos no STF desde outubro, quando foram suspensas pela ministra Rosa Weber.


Autor:Redação AMZ Noticias


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