Desde setembro de 2020 está parado na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, um decreto legislativo que propõe a realização de um plebiscito na região metropolitana de Cuiabá para saber se a população quer ou não a conclusão das obras do veículo leve sobre trilhos (VLT).
De autoria do deputado estadual Wilson Santos (PSDB), a consulta proposta teria o questionamento sobre as obras do modal que estão paralisadas desde dezembro de 2014. "O sistema de transporte coletivo VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, na Região Metropolitana (Cuiabá e Várzea Grande) deve ser concluído ou não?", diz o artigo 2 da proposta.
O decreto foi apresentado antes mesmo do governador Mauro Mendes (DEM) ter anunciado o "enterro" do VLT e a troca do modal para o BRT (Buss Rapid Transit). No artigo 3º da proposta do tucano, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE/MT), ficaria responsável para garantir a gratuidade nos meios de comunicação de massa para que os favoráveis ao VLT e os contrários apresentassem suas campanhas.
Na justificativa, Wilson Santos afirma que os mato-grossenses estão "estarrecidos" com notícias negativas sobre as obras do VLT. "Indiscutivelmente a maior indignação respalda-se na paralisação das obras transformadas em entulhos inconvenientes rasgando e destruindo a paisagem urbana das duas mais importantes cidades do Estado. Tal cenário é o símbolo do descaso da coisa pública e falta de respeito com o cidadão", diz trecho de sua explicação.
O tucano lembra que denúncias de desvio de dinheiro travaram o andamento dos trabalhos, com a deflagração da Operação Descarrilho da Polícia Federal, em 2017. "A crescente polêmica para mudar a implantação no sistema para BRT não permitem que uma decisão de tamanha relevância e responsabilidade fique apenas sobre os ombros do Chefe do Poder Executivo".
Santos ainda afirma que o plebiscito seria uma forma de "dar voz aos milhares de usuários do sistema que até o presente momento não forma consultados e são eles os maiores interessados e beneficiários".
A reportagem procurou o presidente da Assembleia, Eduardo Botelho (DEM), para saber o motivo do decreto legislativo nunca ter sido apreciado. Porém, não foi localizado para comentar. Ontem (4), durante a audiência pública na Assembleia, Botelho chegou a afirmar que um plebiscito não poderia ser viável, e que poderia atrasar a implementação do BRT.
"Tudo que acontecer para retardar é ruim. Temos que trabalhar para que saia o mais rápido possível. A população está cansada de tudo que está ai. Então temos que unir esforços para realmente realizar", disse durante entrevista com a imprensa. O prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) que participou da audiência, pediu para que algum parlamentar apresentasse a proposta de plebiscito.
Autor:AMZ Noticias com Gazeta Digital