Uma fusão sem nenhum resultado político favorável ao ex-Democratas em Mato Grosso, esta é a visão do jornalista Eduardo Gomes de Andrade um dos principais jornalistas políticos do estado e com quase 50 anos de atividade.
Para ele essa é a síntese do casamento do DEM com o PSL, partido pelo qual o presidente Jair Bolsonaro chegou ao poder em 2018. Visto pelo outro ângulo, o dos seguidores de Bolsonaro, o acasalamento das siglas é um zero à esquerda.
Segundo Eduardo Gomes, nacionalmente o DEM sempre foi coajuvante do PSDB, que era o dono do poder na era FHC. Em Mato Grosso o partido tem o governador Mauro Mendes, o senador Jayme Campos, o ex-governador Jùlio Campos e os deputados estaduais Eduardo Botelho e Dilmar Dal Bosco. Nos municípios, controla 25 prefeituras e soma 204 vereadores.
Em Mato Grosso o PSL é um amontoado de fanáticos com Bolsonaro. Pelo partido foram eleitos os deputados estaduais Gilberto Cattani (que assumiu a vaga de Sílvio Fávero, vítima de covid-19), Ulysses Moraes e o Delegado Claudinei – Elizeu Nascimento aderiu, mas elegeu-se pela DC; o deputado federal Nelson Barbudo (campeão de votos ao cargo); oito prefeitos e 90 vereadores.
Esse grupo não tem projeto político regionalizado e, para onde Bolsonaro for, ele correrá atrás sem se preocupar para onde vai. Pode ser que entre os prefeitos, um ou outro gato pingado permaneça na sigla resultante da fusão, por conta do poder de Mauro Mendes, que tem a chave do cofre que faz a alegria dos donos do poder.
O futuro de Bolsonaro, segundo a mídia nacional, aponta para o PP do não recomendável sendor piauiense, que é um dos líderes do Centrão e ministro bolsonarista, Ciro Nogueira. Caso isso ocorra, haverá debandada para aquela sigla, para desespero do deputado federal Neri Geller, que a controla perante a opinião pública, mas cumprindo orientação do ex-governador e ex-ministro Blairo Maggi. Em suma, a fusão não foi boa para os oriundos do Democratas, e para os seguidores de Bolsonaro ela sequer existe, porque no céu e na terra há somente o Mito.
PASSADO – Algumas fusões aconteceram, mas somente uma efetivamente resultou na conquista do poder. Em 1981 Tancredo Neves, Dr. Ulysses, Quércia, Franco Montoro, José Sarney, ACM e outras lideranças nacionais incorporaram o PP ao MDB resultando na criação do PMDB, que em 1985, pelo Colégio Eleitoral, elegeria Tancredo presidente e Sarney vice.
Em Mato Grosso a incorporação foi decisiva nas eleições gerais em 1982 e na eleição estadual de 1986. Na primeira foram eleitos os deputados federais Dante de Oliveira, Gilson de Barros e Márcio Lacerda (oriundos do MDB) e Milton Figueiredo (ex-filiado ao PP).
Quatro anos depois o PMDB conquistou o governo com Carlos Bezerra e Edison de Freitas de vice (ambos do velho e bom Manda Brasa); elegeu os senadores Louremberg Nunes Rocha (ex-PP) e Márcio Lacerda, além de deputados federais e estaduais.
“A diferença entre a incorporação e a fusão é que na primeira os políticos fortaleceram posicionamento em nome do poder regional, e na segunda a movimentação é uma espécie de corrida para abraçar o Mito” finaliza Eduardo Gomes.
Autor:AMZ Noticias com Assessoria