O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, afirmou que a população tem se comportado como se a pandemia de Covid-19 já tivesse sido extinta. Figueiredo ainda defendeu cautela na realização de eventos e na flexibilização do uso de máscara facial.
As declarações foram dadas na última semana em entrevista à Rádio CBN. “Primeiro, temos que lembrar que ainda não saímos da pandemia. O nosso comportamento é como se tivéssemos promovendo eventos para comemorar a extinção da pandemia. O Réveillon vai existir, o carnaval não deixa de existir e é preciso ter prudência de como nós queremos comemorar essas datas”, disse o secretário.
O gestor destacou que a cobertura vacinal e o cenário de incertezas gerado pelo surgimento de uma nova variante do coronavírus no mundo devem ser analisados antes que sejam tomadas quaisquer medidas de flexibilização.
“Já está comprovado o difícil controle em eventos de aglomerações. Por mais que você exija passaporte e que as pessoas tenham sido vacinadas, quando você está em um evento isso foge ao controle. Sempre tem gente que não está com a cobertura vacinal completa e mesmo para aqueles que já têm cobertura completa não estão 100% protegido. Então, qualquer aglomeração substancial é temerosa. Nós ainda não atingimos uma cobertura vacinal para ter conforto da população, Mato Grosso está chegando agora a 67% de cobertura”, explicou.
“Então, eu gostaria que nós tivéssemos um pouquinho mais de esforço, vamos segurar um pouco a onda porque ainda não sabemos o que vem pela frente. Estamos verificando o crescimento da pandemia na Europa. Nós já assistimos isso antes, será que vamos estar blindados aqui? A nova variante já chegou ao país e no meu entendimento não será a última variante. Elas surgem justamente por força da baixa cobertura vacinal, então enquanto tiver um país no mundo com baixa cobertura vacinal o mundo inteiro estará correndo risco”, acrescentou Figueiredo.
Ele ainda esclareceu que, caso os gestores e a população não tenham cautela, o cenário pandêmico pode se agravar novamente nos municípios, fazendo com que estratégias que já foram desmobilizadas voltem a ser adotadas.
“Eu não faria grandes eventos com aglomeração, porque senão nós vamos daqui uns dias voltar a fazer tudo que fizemos. Ampliar leitos, criar toda uma estratégia que de certa forma já foi parcialmente desmobilizada. Eu ainda prefiro a precaução, mas não vou entrar no debate de criticar diretamente esse ou aquele gestor. Eu não sinto esse temor por parte da população, o temor eu gostaria de sentir com as pessoas procurando os postos de vacinação” , pontuou.
Por fim, Figueiredo reforçou que ainda não é o momento de abandonar o uso das máscaras faciais de proteção. “Nós não saímos da pandemia, então ainda precisamos de proteção e se a máscara é uma proteção efetiva, assim como a higienização das mãos e certo distanciamento. Eu não vejo porque no meio de uma pandemia flexibilizar um ponto que estamos notando que no resto do mundo está voltando atrás. Dos males o menor, será que usar máscara é o maior sacrifício que nós temos nesse momento? Não”, concluiu.
Passaporte da vacina - Já em relação ao veto ao passaporte da vacina que será votado na Assembleia Legislativa (ALMT), Figueiredo considera prematuro que o Estado interfira por meio de lei em decisões que devem ser tomadas por gestores municipais.
“Acho que dificultar acesso em algumas áreas públicas talvez venha a ser um mecanismo coercitivo que tenha necessidade de se fazer. Então, acho um tanto prematuro aprovar através de lei e proibir algo que possa ser futuramente uma necessidade de segurança sanitária nacional. Eu gostaria que não tivesse nesse momento nem uma lei obrigando e nem proibindo algo que possa ser decisão de gestor municipal a luz dos dados epidemiológicos do seu território. Então, uma lei de abrangência estadual desse aspecto nesse momento, acho um pouco temerário”, argumentou.
Autor:Redação AMZ Noticias