Em 2021, Mato Grosso teve maior número de óbitos dos últimos seis anos e contabilizou um total de 25.520 mortes, segundo a Associação dos Notários e Registradores de Mato Grosso (Anoreg-MT).
A Diretora de Tecnologia da Anoreg, Maria Aparecida Bianchin, explica que os números elevados foram, principalmente, causados pela Covid-19 no Estado. Para se ter uma ideia, em 2019 - quando ainda não havia Covid -, o número de mortes no Estado, conforme a associação, foi de 16.025. O dado mostra que entre 2019 e 2021, houve um aumento de 59%.
Apenas em março, em que houve o segundo pico da doença, a associação registrou 9.436 mortes nos municípios mato-grossenses, sendo que este número representou 37% do total de óbitos contabilizados em todo ano de 2021. Pelo portal transparência dos registros, é possível ver que, deste número, 1.896 foram registrados com a causa da morte como suspeita ou confirmação de Covid-19. Os picos dos casos ocorreram na última semana de março e início de abril.
“Nunca houve uma quantidade de óbitos tão grande no Estado no período de 2015 para cá. Além da causa mortis Covid-19, houve um aumento substancial tendo como causa mortis insuficiência respiratória, pneumonia, e septicemia”, afirma. Em análise dos dados coletados nos anos anteriores à pandemia, Maria explica que Mato Grosso estava tendo um decréscimo de mortes. Em 2015 o Estado teve 15.939 registros emitidos, em 2016 foram 15.162.
Até a Covid-19 chegar na região mato-grossense, 2017 sustentava o recorde de mortes dos últimos anos, com um total de 16.846. No entanto, em 2018 e 2019 os números começaram a cair, com a Anoreg registrando 16.712 e 16.025, respectivamente. Com os primeiros casos do novo coronavírus em Mato Grosso, os dados mudaram em 2020, em que houve um salto para 20.763 óbitos, crescimento de 30% em relação ao ano anterior. Já em 2021 as mortes continuaram a aumentar, chegando a ser 20% maior do que no início da pandemia. “Foi um crescimento exponencial a partir do mês de março de 2020”, relata.
Transparência nos dados - Maria explica que uma pessoa só pode ser sepultada no país caso faça um registro de óbito no cartório do local onde ocorreu o falecimento. O protocolo faz com que cada Estado tenha controle sobre esses números e também sobre as causas das mortes.
Os cartórios de todo o Brasil também informam ao Sistema Nacional de Informações de Registro Civil (Sirc), que compartilha informações com o INSS, IBGE, Receita Federal e inúmeros outros órgãos públicos, contribuindo para as diretrizes públicas, tomada de decisões pelos governantes e estatísticas oficiais. Nos anos de 2020 e 2021 os registros ganharam uma nova importância também, de trazer transparência nas informações sobre mortes no Brasil durante a pandemia.
“Foi possível que a gente pudesse informar em tempo real todos os órgãos da administração pública, as autoridades sanitárias do que estava realmente acontecendo no país em termos de morte para que as diretrizes e estratégias fossem tomadas”, afirma. Por este motivo, a diretora enfatiza a importância de se fazer os registros que são obrigatórios em cartório. Tanto para garantir direitos básicos quanto para manter os dados do Estado atualizados.
Recorde no Brasil - Assim como em Mato Grosso, país também bateu recorde de mortes em 2021. No ano passado os Cartórios de Registro Civil brasileiros registraram um total de 1.684.263 óbitos em todo o território nacional.
A Anoreg Brasil relatou que as mortes, em sua maioria, também foram um reflexo das vítimas contaminadas pelas Covid-19. Em comparação, ano passado também houve um menor número de nascimentos desde o início da série história do Registro Civil, em 2002. Foram 2.551.942 registros.
Autor:AMZ Noticias com Assessoria