Quarta-Feira, 24 de Junho de 2026

Presidente da Federação Indígena diz que medalha de mérito indigenista a Bolsonaro é “Uma grande palhaçada”




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O presidente da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), Crisanto Rudzö Tseremey’wá, expressou indignação e chamou de "uma grande palhaçada" a decisão de conceder a medalha de mérito indigenista ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

A medalha foi concedida pelo ministro da Justiça, Anderson Torres, em despacho publicado no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (16). Crisanto disse que todos os 43 povos originários do estado estão indignados. Ele ainda afirmou que vê uma manobra na ação do governo.

"Já estamos vivendo a pré-campanha. Então, com a possibilidade de ele não ser reeleito, começa a fazer tudo isso. É uma manobra, porque esse governo não fez nada aos indígenas. É uma grande palhaçada, com todo perdão aos palhaços que trazem alegria para a gente, mas não tenho outra palavra", afirmou.

A medalha de mérito indigenista já havia sido concedida ao cacique Raoni, uma das maiores lideranças indígenas do Brasil. A reportagem tentou contato com Raoni, mas até a publicação desta reportagem, não obteve retorno porque ele segue isolado na aldeia, sem comunicação.

Segundo Crisanto, a medalha concedida ao Bolsonaro é vista como desrespeitosa. "É lamentável, isso é muita falta de consideração, é desumano, antissocial. Depois chamam a gente de incivilizados. Nós somos civilizados dentro do nosso universo. E o que essa classe mostra ao país é falta de educação", ressaltou.

Para o presidente da FepoiMT, as ações de desmantelamento nos principais órgãos públicos de defesa indígena, como a Funai, são a prova de que o governo não trabalha para o povo.

"Ele não governa do povo para o povo. Bolsonaro não nasceu para ser presidente, não cabe a ele estar nessa cadeira. Não sei porquê ele ainda não renunciou", disse.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) também se manifestou contra a decisão e ainda usou da criatividade para demonstrar repúdio. "A Apib reconhece e denuncia com a 'medalha do genocídio indígena' as políticas de morte do governo Bolsonaro", disse.

No ano passado, a Apib entrou com uma denúncia no Tribunal Penal Internacional de Haia (TPI), alegando que Bolsonaro cometeu crimes contra a humanidade e genocídio ao incentivar a invasão de garimpeiros em terras dos povos originários.

Na denúncia, a Apib ainda pediu ao TPI "atenção ao período da pandemia da Covid-19". Além disso, eles também pontuaram sobre a explícita política anti-indígena do governo ao não dar andamento com novas demarcações de terras.


Autor:Redação AMZ Noticias


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