Quinta-Feira, 16 de Abril de 2026

Mais de 5 mil hectares teriam sido degradados com arrendamento ilegal na Terra Marãiwatsédé




COMPARTILHE

Mais de cinco mil hectares foram degradados, resultando em um dano ambiental calculado em aproximadamente R$ 60 milhões, na Terra Indígena (TI) Marãiwatsédé, do povo xavante, na região Norte Araguaia de Mato Grosso.

A constatação foi feita, via imagens de satélites, pela Polícia Federal. O problema decorre de arrendamentos ilegais no território indígena, que remontam ao ano de 2017. A estimativa é de que 70 mil cabeças de gado estão sendo criadas na área indígena e o tamanho da área destruída pode ser ainda maior.

Na última quinta-feira (17), a PF e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Federal (Gaeco-MPF/MT) deflagraram a operação “Res Capta”, para combater crimes de constituição de milícia privada, corrupção ativa e passiva, porte ilegal de arma de fogo, abuso de autoridade e crimes ambientais.

Na ação, foram detidos o coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Ribeirão Cascalheira, Jussielson Gonçalves Silva, o sargento da Polícia Militar Gerrard Maxmiliano Rodrigues de Souza e o ex-policial militar do Amazonas, Enoque Bento de Souza.

O cacique Damião Paridzané teve a conta bloqueada e uma caminhonete SW4 apreendida, veículo que ele teria recebido em troca do arrendamento ilegal de terras. Damião também é suspeito de receber R$ 900 mil por mês, para autorizar fazendeiros a entrarem na terra.

Além das prisões, foram ainda fixadas medidas cautelares diversas da prisão contra 15 arrendatários das terras de: proibição de promover qualquer tipo de desmatamento e degradação ambiental na Terra Indígena Marãiwatsédé; retirada de todo rebanho de reses (gado ou quaisquer animais criados para o abate), no prazo de 45 dias, do interior da T.I. Marãiwatsédé.

Após, a proibição de entrada e permanência na Marãiwatsédé; e expressa advertência de que o descumprimento de qualquer das obrigações anteriores poderá levar à decretação da prisão preventiva.

As investigações tiveram início em setembro de 2021, na Delegacia da PF de Barra do Garças (509 km a Leste da Capital), a partir de denúncia anônima informando que servidor da Funai, da Comarca de Ribeirão Cascalheira (a 380 km de Barra do Garças), estaria recebendo valores em dinheiro em troca de favores, no sentido de dar preferência a alguns indivíduos no arrendamento de terras dentro da reserva indígena Marãiwatsédé, para criação de gado.

Também foi constatado que os investigados estariam cobrando valores de grandes fazendeiros da região para direcionar e intermediar arrendamentos no interior da terra indígena. Os pagamentos eram monitorados pelos investigados, que faziam o serviço de cobrança e retiravam da área os fazendeiros inadimplentes e direcionavam outros para ocuparem os locais deixados pelos arrendatários retirados.

Além dos valores pagos, em tese, como propina ao trio, os fazendeiros arrendatários pagavam valores mensais a uma liderança Xavante, que totalizavam aproximadamente R$ 900 mil. Os presos na operação devem responder por crimes ambientais, exploração indevida de terras da União, corrupção e coação. Eles podem pegar até 17 anos de prisão. Já os arrendatários vão responder criminalmente por invasão de terras públicas e crimes ambientais.


Autor:Joanice de Deus com DiáriodeCuiabï


Comentários:
O Jornal do Carajas não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros.

Nome:
E-mail:
Mensagem:
 



Copyright - Jornal do Carajas e um meio de comunicacao de propriedade da AMZ Ltda.
Para reproduzir as materias e necessario apenas dar credito a Central AMZ de Noticias