Um estudo mostra que a redução na vegetação florestal amazônica foi a maior entre as coberturas naturais dos biomas brasileiros, pelo terceiro mês consecutivo, neste ano, Mato Grosso liderou o ranking de desmatamento na Amazônia Legal.
Em março, 46% de toda a destruição detectada no bioma, o que corresponde a 57 km2 devastados, ocorreram no Estado. Além disso, cinco dos 10 municípios que mais desmataram ficam em solo mato-grossense.
Essas cidades são Nova Ubiratã, Juara, Feliz Natal, Porto dos Gaúchos e Juína, no Norte e Noroeste de Mato Grosso. Juntos, elas somaram 35 km² de floresta destruída, 61% do registrado no Estado. Porém, Mato Grosso reduziu em 72% a derrubada da floresta, se comparado ao mesmo período de 2021, quando 205 km2 foram desmatados.
Os dados constam no novo boletim do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgado no dia 14 deste mês. De acordo com o Imazon, floresta a floresta amazônica perdeu, somente nos três primeiros meses de 2022, uma área equivalente ao território de Salvador, a 15ª maior capital do país.
No período, ao todo foram devastados 687 km², o segundo maior acumulado para o período em 15 anos, desde que a instituição iniciou seu monitoramento por imagens de satélite, em 2008.
Segundo o Imazon, o primeiro trimestre só não foi pior do que no ano passado, quando a derrubada da floresta chegou aos 1.185 km². Na comparação com 2021, o acumulado deste ano foi 42% menor. Isso porque, embora o instituto tenha registrado aumento no desmatamento em janeiro e em fevereiro, em março houve uma queda de 85%: a devastação passou de 810 km² em 2021 para 123 km² em 2022.
Porém, pesquisadores alertam que é muito cedo para celebrar. “Essa redução ainda não é um motivo de comemoração, pois, em breve, entraremos no período seco, onde, historicamente, a derrubada da floresta tende a ser maior. O fato de termos no trimestre de 2022 a segunda maior área desmatada em 15 anos nos mostra que o desmatamento ainda segue em ritmo intenso na Amazônia”, afirmou Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.
Depois de Mato Grosso, o Estado com maior devastação em março foi o Pará, com 33 km2 (27%) derrubados, seguido de Roraima, com 13 km² (11%), e do Amazonas, com 12 km² (10%). Neste ano, o Governo de Mato Grosso promete investir cerca de R$ 60 milhões de investimento para aquisições e operações ambientais contra as queimadas e desmatamento ilegal.
Os investimentos estão divididos em sete áreas, sendo elas, gestão, monitoramento, responsabilização, fiscalização, prevenção e combate, proteção da fauna e comunicação. Para o monitoramento, por exemplo, o investimento é de R$ 6,4 milhões, com o uso de imagens de satélite de alta resolução com alertas de desmate, sensoriamento remoto para exploração de madeira, e notificação de proprietários por degradações relacionadas aos focos de calor.
Também são previstos R$ 2 milhões para melhorias na atuação remota de desmates ilegais e incêndios, força-tarefa para julgamento das multas, inscrição de devedores na dívida ativa, novo sistema que torna digital o trâmite e julgamento dos autos de infração, e abertura de ações civis públicas contra infratores.
Autor:AMZ Noticias com Assessoria