Quinta-Feira, 16 de Abril de 2026

90% dos casos de forma aguda da Doença de Chagas são registrados na Região Norte do Brasil




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90% dos casos da forma aguda de transmissão (oral, por meio de alimentos, e vetorial) Doença de Chagas tem ocorrência na Amazônia, precisamente na Região Norte do Brasil. A informação foi repassada, nesta segunda-feira (14), pela médica infectologista e pesquisadora em Saúde Pública do Instituto Evandro Chagas, Ana Iecê Pinto. Ela participa do 57º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (Medtrop), no Hangar, em Belém.

A Doença de Chagas tem como formas de transmissão: a vetorial; a oral, predominante na Região Norte, por conta dos vetores peridomiciliares; a transmissão via vertical (da mãe infectada para o bebê, na gestação); e a transfusional (bem controlada).  Na transmissão vetorial, a pessoa passa uma das mãos no local do corpo onde estão as fezes do Barbeiro (vetor da doença causada pelo Trypanosoma cruzi) e, depois, coloca na  boca, olhos e boca, por exemplo, e se contaminam pelo protozoário.

"A Amazônia tem mais de 90% dos casos de Doença de Chagas aguda. A enfermidade possui duas fases: uma fase crônica e outra aguda. A crônica envolve uma transmissão silenciosa, ou seja, em geral não é a transmissão oral, e, sim, pelo vetor. A aguda é o que se tem na Região Norte do Brasil, predomina na Amazônia, que é a transmissão pela via oral. No entanto, nem sempre é transmissão oral, que fica em torno de 70 a  80% dos casos. Noventa por cento dos casos de Doença de Chagas aguda são na Amazônia, mas nem tudo é transmissão oral, porque nós também temos o vetor", observa a pesquisadora.

No bairro da Pratinha, em Belém, foram identificados 9 casos da doença e, no Pará como um todo, são até agora, em 2022, 164 ocorrências e 2 óbitos. Segundo Iecê Pinto, esse panorama da doença já está há algum tempo, e há mais de 10 anos o IEC atua no combate a essa doença. "O panorama tem se repetido infelizmente, e cada vez mais nós temos uma possibilidade de de atender e diagnosticarmos a doença cada vez mais rapidamente, porque há avanços no diagnóstico, no tratamento, e se busca novas drogas, pois essa é uma doença bastante antiga mas só tem uma medicação, que trata, então, é uma situação bem difícil", destaca.

Por essa razão, a Doença de Chagas é chamada de doença negligenciada, de populações negligenciadas, porque praticamente não tem medicação. Uma das perguntas que se faz com relação à Doença de Chagas é se se vai ter uma vacina contra a enfermidade, uma medicação que seja de fato eficaz, que cure totalmente a pessoa. Daí a importância do Medtrop e da Semana Nacional de Saúde (na semana que vem)  e outros eventos para discussão de encaminhamento de estudos e ações sanitárias.

O acesso atual ao medicamento contra a doença (o benznidazol) se dá no SUS. No entanto, há necessidade de investimentos para a produção desse medicamento que o Ministério da Saúde distribui à população. "Com a falha de investimentos em pesquisa, em inovação tecnológica em produção de medicamentos pode haver um hiato na produção dessa medicação, e aí vai ser um caos para a gente, porque aqui, pelo menos no Pará, a Doença de Chagas aguda exige um tratamento imediato. Não temos tido nenhum problema, até hoje, com a medicação para os pacientes daqui, mas a gente não sabe o que pode acontecer daqui em diante com o esvaziamento do contexto de pesquisa  e de ciência e tecnologia do país", ressalta a a médica.

Sobre a relação entre o mosquito Barbeiro (triatomíneo, vetor da Doença de Chagas) e o açaí, Iecê Pinto observa ser um tema extremamente preocupante. "Nós temos uma transmissão predominantemente oral, mas o açaí não contamina do nada. O açaí contamina a partir de um vetor que está aqui, na nossa região, abundantemente. É o Barbeiro.  As fezes desse inseto contêm o parasita que pode contaminar. Acontece que na nossa região  a situação é um pouco diferente da região de transmissão vetorial  que a gente chama clássica. Então,  o inseto, muitas vezes,  não pica a pessoa, mas ele está ali no peridomicílio, onde existem as máquinas, onde as pessoas em geral batem o açaí; nessa máquina tem uma luzinha que atrai o inseto e ele cai dentro do açaí", salienta  a médica.

Estudos também mostraram que os gases que o açaí libera atraem o barbeiro, e, então, pode acontecer a contaminação de uma ou duas partidas de açaí, e é por isso, como ressalta Iecê Pinto, que o surto é limitado, às vezes, a 12, a 13 pessoas, e não ao quantitativo de pessoas que tomam o açaí; muitas pessoas tomam o fruto muitas vezes por dia e não se contaminam. Essa contaminação acidental será controlada  a partir do momento em que se identifica esse novo comportamento do vetor na região, no Estado. "A gente tem que investir muito em pesquisa entomológica, para isso, além das ações da Vigilância Sanitária, que é o controle desse alimento", observa.


Autor:Redação AMZ Noticias


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