Quinta-Feira, 16 de Abril de 2026

Possivel esquema de shows para prefeituras do Araguaia liga o alerta do Ministério Público 




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Sem obra nós não rouba. Antes era assim, como mostra a simplicidade deste bordão, sem preocupação com o bom português. Era assim, nos bastidores políticos, mas longe do olhar da população. Agora mudou. Com um show sertanejo ou um rodeio em touros bravos é possível substituir a obra que rendia por fora para o ordenador de despesas.

Neste campo o Ministério Público tem que agir, antes que o estado em todas as suas esferas seja jogado na sarjeta. Não se pode falar em corrupção no episódio em Campinápolis, em que a juíza Tabatha Tosetto determinou a suspensão da Expocamp – a feira agropecuária do lugar para onde a administração do prefeito José Bueno Vilela, o Zé Bueno. canalizaria uma montanha de dinheiro.

Mato Grosso está impregnado com contratos para shows musicais e por emendas parlamentares para a realização de festivais e rodeios. Nem todos chafurdam na corrupção, mas é preciso que o Ministério Público passe todos a limpo num pente fino que rastreie a dinheirama e cruze os valores cobrados aos cofres públicos mato-grossenses com idênticos eventos bancados exclusivamente pela iniciativa privada.

Notícia postada hoje (16) no site da Rádio Interativa FM de Água Boa transcreve uma liminar concedida pela juíza Tabatha Tosetto suspendendo a Expocamp, que teria recebido 600 mil reais da prefeitura.

Na liminar a magistrada sustenta que Campinápolis é um município que não regulariza o saneamento básico, não adota providências para reduzir o tempo de espera na fila para atendimento médico especializado com destaque para as crianças autistas do distrito de São José do Couto; e não cria condições salubres para o funcionamento das escolas, unidades básicas de saúde, hospital municipal e o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

Mais: para a realização da Expocamp a prefeitura pagaria uma soma salgada em cachês artísticos: 720 mil para os shows regionais de Felipe & Marcos, Studio Band e Marcela Mares; 90 mil para Cristiano Siqueira; 130 mil para Paulo & Natan; e 320 mil para Amado Batista. Esse mosaico de desembolso ofende a inteligência, afronta a lógica e expõe um cenário de terra arrasada no aspecto administrativo.

No caso de Campinápolis, não se fala em corrupção, mas da vulgaridade para gastar o dinheiro. Mesmo assim, o Ministério Público precisa investigar onde a Expocamp gastou os 600 mil recebidos da prefeitura pela generosidade de Zé Bueno e o mar de dinheiro que seria repassados aos cantores.

Em Ribeirão Cascalheira a prefeita Luzia Brandão (União) contratou um show da sertaneja Manu Bahtidão, para abrilhantar a 9ª Queima do Alho, no começo deste mês, por um cachê de 275 mil, mas o pagamento do ECAD – que recebe direitos autorais – hotel e alimentação para 25 integrantes da banda da cantora, translado de vans e outras despesas. O Ministério Público representou contra essa farra com o dinheiro público e uma liminar impediu a sangria dos cofres de Ribeirão Cascalheira.

O Ministério Público esperneou, mas não conseguiu impedir a realização de um show do sertanejo Leonardo na 13ª Feira Cultural, em 1° de junho, contratado pela generosidade do prefeito Voney Goiano (União). Na comarca, em Paranatinga, a Justiça acatou o pedido da Promotoria, para barrar o desembolso de 750 mil pela prefeitura para o cachê do cantor. Porém, no Tribunal de Justiça a decisão foi revertida.

O show e o pagamento estão assegurados. Cabe, agora, ao Ministério Público, rastrear o dinheiro e apurar se o cachê de Leonardo realmente é de 750 mil. Muitos são os shows sertanejos que estiveram no centro da atenção da Imprensa nos últimos dias. Dentre eles, em Campo Verde e Nova Olímpia, mas a lista é bem extensa.

O pente fino do Ministério Público não pode ficar restrito às pequenas cidades. Tem que incluir Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop e outros grandes municípios, onde eventos são bancados a preços astronômicos pelos cofres públicos.

O absurdo das contratações dos shows pode também ser dimensionado pela população do município. Gaúcha do Norte tem 8.642 habitantes, Ribeirão Cascalheira (10.089)  e Campinápolis (15.347). Todos dependem das transferências constitucionais, de convênios a fundo perdido com o Estado e a União, e de emendas parlamentares. 

EMENDAS – Show é o que mais chama a atenção, mas companhias de rodeios apadrinhadas por prefeitos recebem polpudas emendas parlamentares para promoverem montarias em touros e cavalos. O jornalismo investigativo nunca conseguirá apurar o que se passa por baixo dos panos na contratação de sertanejos e a liberação de emendas parlamentares.

Nesta situação o Ministério Público tem meios para tanto. Tomara que os promotores não durmam em berço esplêndido nesta abençoada e ensolarada terra que vibra com o som sertanejo e vê o chão tremer ao grito de seguuuuura peão.


Autor:Eduardo Gomes de Andrade


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